Quem sou
Marcelo Moura Campos Filho. Compositor eletrônico, Modularista, desenhista de movimento e som, experimentalista, aventureiro generativo, residente de Palmas, capital do Tocantins, Brasil. Trabalho com computadores modulares de código aberto e Colecionador de arte. Mais de 5000 obras de artes de mais de 1000 artistas diferentes de todo o mundo.
Comecei minha jornada no audiovisual com 16 anos estudando Adobe After Effects. Trabalhei muito cedo como menor aprendiz: Banco do Brasil, fintech, agências de publicidade (o momento mais desgraçado da vida), produtoras independentes. De 2021 até aqui continuo no digital. Foi um amor à primeira vista. Desde criança apaixonado por videogames e cronicamente online.
Infância, dota, internet
Tive uma infância normal pelas ruas da Vila União, em Palmas. Aprendi a fazer pipas e peguei a época de ouro das lanhouses — tempo que não volta mais. Filho de pai vagabundo e mãe guerrilheira. Acho que era 2010 quando meu primo me apresentou um jogo chamado Dota — na verdade um mapa customizado da comunidade do Warcraft III. Aquelas animações da Blizzard me fizeram sonhar com uma profissão que eu nem sabia que era possível. Pela primeira vez entendi o que era arte, o que era internet, e algo para fazer da minha vida com computadores.
O que aconteceu em 2021
Bitcoin? Tezos? NFT? Ethereum? Em 2021 eu estava de saco cheio trabalhando num layout publicitário de uma campanha merda quando, navegando no YouTube procurando algo pra ouvir, me deparo com uma live — "O FUTURO DA ARTE DIGITAL". Foi quando encontrei uns carinhas falando que estava acontecendo alguma coisa em um site de design duvidoso com um aviso "use com sua conta em risco".
Eu não estava entendendo nada do que aqueles nerdolas estavam falando. Só entendi que os artistas estavam vendendo suas artes. Pensei comigo: "por que eu não tento vender alguma música lá?". No final da live direcionaram a galera para um Discord, o criptoartebrasil — até hoje alguns gatos pingados estão shilando suas coisas lá. Nesse Discord comecei a conversar com outros artistas e tirar minhas dúvidas. Tive a honra de receber meu primeiro Tezos do Koshino, um artista que co-fundou o site de design duvidoso que mencionei antes.
Recebi aquele 1 XTZ e fui direto cunhar as músicas dos meus álbuns que já estavam no meu Bandcamp. Foi incrível. Em poucos dias eu já estava fazendo boas vendas e podendo comprar arte de artistas do mundo todo. E com muita alegria posso dizer: algumas pessoas conheceram meu trabalho, que até então estava direcionado por publicitários e essas pessoas que não dão valor no ser humano e no trabalho.
Com a projeção que os NFTs me deu, consegui um bom emprego numa fintech inhouse. Peguei o salário, mudei-me para a Paraíba, numa praia, em Cabedelo. Deixei algumas demandas de lado, exilei-me, fiz o que tinha que fazer. Realizar a mais profunda alquimia onde ninguém poderia me levar. Realizei coisas de mais — nem eu acredito no que fiz.
HDAO e curadoria decentralizada
Criei um grupo de Discord com alguns amigos em 2021 chamado "Mano do Céu". No canal "assembleia do mint" nós compartilhávamos artes e músicas. Até que surgiu o HDAO. A plataforma hic et nunc basicamente devolveu todo o dinheiro que você coletou de objkt nos 3 primeiros meses em HDAO, e o site tinha um mecanismo de rankeamento via HDAO. Como eu coletei muita arte de maneira irresponsável, acabei recebendo uma quantidade considerável.
Estávamos entusiasmados com a possibilidade de fazer uma curadoria descentralizada. Isso foi o motivo de querer saber todo o movimento do mercado. Quando sugeri para o meu amigo Marlus se ele tinha interesse de ouvir uma ideia, ele logo aceitou sem hesitar. Estávamos com um simples código em Vercel que avisava em som o movimento de liquidez do HDAO. Um software com ratio de movimento em % era tudo o que precisávamos. Isso possibilitou a gente acumular de forma segura com a segurança que só a arte poderia fazer.
A liquidez é uma coisa que tange os acontecimentos dos encontros. Como eu estava acompanhando tudo isso, de objkt por objkt, identificando para onde a demanda de HDAO estava, decidi por vender tudo quando o HDAO estava valendo 7.7 tezos. Tezos era uns 6 dólares eu acho na época, não lembro de cabeça. Foi assim que consegui comprar BTCtz numa oferta muito boa considerando o estado atual.
Infelizmente toda a liquidez do HDAO foi demandada pela Youves, logo após a descontinuidade do protocolo. Foi quando tive certeza de que estava certo, infelizmente. Acho que isso faz algum sentido. Poucos têm o que merecem. Foi um movimento que será lembrado por séculos, tenho convicção.
Mas por quê? Durante este período de lançamento do HDAO até a descontinuidade romântica do hic et nunc, observei que a distribuição descentralizada pode fazer uma revolução — e trazer a óbvia ganancia de tubarões que sentem o cheiro de lucro. E como isso aconteceu? Pela oferta no HDAO. Como um token que idealmente era para servir a comunidade em curadoria descentralizada acabou nas mãos erradas, capaz de trazer um desequilíbrio permanente no ecossistema do airdrop.
Com a oferta sob o HDAO, novas piscinas de liquidez foram sendo criadas e isso causou um efeito que até então não era discutido por ninguém. A centralização dos votos poderia ser fatal no ecossistema de qualquer tipo de votação dentro da DAO. Foi quando o acúmulo de HDAO nas carteiras da Youves me fez repensar a utilidade do token.
Eu sempre irei crer que a descentralização é o que tornou a criptoarte interessante. A descentralização é capaz de fazer coisas incríveis, mas os gatekeepers são muito mais gananciosos do que você possa imaginar. Curadores que também na maioria são artistas, sem perceber, acabam centralizando a ação mais genuína de um mundo não descentralizado. Descobrir a arte sem interferir no caminho independente do circuito/valor em que ela se situa, é um problema geográfico e ambiental.
Generosos reis e rainhas de protocolo atendem suas demandas culturais. Estes cartéis continuam a acelerar a centralização. Essas empresas têm agentes leais. Este foi o porquê vendi todo meu HDAO. Mesmo assim continuo acreditando que o espírito que o hicetnunc invocou ainda voa sob nossas cabeças, e que o HEN nunca caiu — mas sofreu um ataque muito bem orquestrado para fazer parecer que foi motivado por um único indivíduo. Você pode procurar as transações em marcelo.tez e ver minha vida inteira onchain.
Existe uma timeline do que aconteceu no hic et nunc montada por um colaborador da comunidade em formato de gitbook — link do gitbook.
Satoshi made
First, bitcoin, the asset, the money. Second, the blockchain, the infrastructure upon which the first one was built. Lastly, cryptoeconomics — an incentive structure to coordinate distributed work. It brought to life a monetary system run by the people, for the people.
A primeira vez que fiquei sabendo o que era cripto foi em meados de 2016. Fiquei super empolgado com o fato de poder comprar drogas de outro país com um meio de pagamento "acessível" — com todas as aspas possíveis em "acessível". Sou um nerdola entusiasta, talvez não fosse acessível para o vagabundo do meu pai, por exemplo. É geracional. O Bitcoin está agora no seu quarto ciclo enquanto escrevo estas baboseiras. Serão 142, eu acho, de acordo com o projeto do Satoshi. Até lá serão algumas décadas. Talvez meu neto um dia herde minhas coisinhas de internet — pensar nisso me faz pensar. Ainda não tenho filhos kkkkkk mas me faz pensar. O tempo é uma unidade de medida.
As unidades de medida fizeram com que a humanidade chegasse até aqui. Isso não é louco? Ninguém pensa nessas coisas. É como aquela cena do filme brasileiro "Arido Movie" onde o Selton Melo diz que a maior invenção de todos os tempos foi a contagem de páginas.
Algumas pessoas veem 2013, 2017 e 2020/21 como bolhas. Isso não é correto. Sim, de um ponto de vista puramente estatístico, 2013, 2017 e 2020/21 parecem valores atípicos — mas são períodos estruturais/fundamentais que explicam todo o ganho do mercado cripto em distribuição fractal.
Correndo muito risco de soar estranho, mas é tudo energia. Não estou querendo ser o carinha da terra-plana quântica aqui, só estou dizendo que enquanto você lê esta merda toda, você está gastando energia, e um relógio inútil está contando. Estas unidades podem ser consideradas de medida? É tudo uma viagem semântica minha. Me perdoe?
Síndrome de impostor
Pessoas usando computadores. Pessoas urbanas. Pessoas do terceiro mundo. Eu entendo vocês. Amo este acidente — o hic et nunc. Isso me faz bem.
Não é um círculo de pessoas interessadas no que tenho, mas uma teia de aranha onde valorizamos quem somos. Talvez uma utopia, mas ei, utopias são boas. Sou muito grato por estas várias mãos construindo um destino comum, um bem comum, um lugar comum, onde nos encontramos sem paredes e restrições da estrutura secular da noção de belo e moral. Me considero imoral — me sinto bem assim.
Neste não-lugar gostaria de agradecer em silêncio algumas pessoas: Kosha, Alexandre Rangel e Rafael. Mas são inúmeros criptoartistas e amantes da arte. Uns dos nomes que me vêm à mente agora: James Blossom, Marcelo Soria Rodrigues, Xima, Marlus, Paulo, Pedro, Topo Digio, Agnis Evergrace, a toda equipe xdead, ao internetparty, equipe Pupila Dilatada, mathmakeart (não sei como te agradecer, muitas vezes me deu uma luz na compreensão dos gradientes), iurygroove, Luzo, equipe Gabiroba. São tantas pessoas fodas, nem é possível listar todas. As Anas da minha vida são tantas.
Essas pessoas usam a criptografia diariamente para romper as paredes das galerias de arte tradicional. São o que me faz acreditar num futuro melhor. Uma transição de eras. Um renascimento no meio do caos — acho que é isso, um bom começo para definir o que é ser um criptoartista. Este site está em manutenção rs.
E por que não agradecer também os agentes do mal que influenciam minoria boa? Agradecer também aos flipers que cegamente seguem a ambição. Agradecer os scamers que todos os dias enganam alguém. Isso é a força bruta do caos. Agradecer os copyminter que nos mostrou o valor. É assim como tem que ser. O equilíbrio está neste lugar. A criptografia foi inventada com um propósito. Nunca ceder à força bruta. É indiferente e inútil tentar. É como a lua — ela está lá, você a vê, você acredita, ela te hipnotiza.
Arte generativa
O que comecei a fazer no sintetizador modular foi de ouvido e completamente acidental. Fui ouvindo e ouvindo, procurando e encontrando timbres que nunca perdi, experimentando. Aprendi a amar os sintetizadores, e principalmente um apego emocional com quem os faz — humanos que dedicam suas vidas em construir coisas que ninguém nunca pediu. Fazendo coisas que fazem. Acho que é por aí. De repente descobri que o que estava fazendo era arte generativa, construindo meus próprios sistemas, copiando Mr Moog, Mr Buchla... ou melhor dizendo, me inspirando em seus desenhos, maluquices e teimosia. Um bom artista rouba, é o que dizem.
Mas foi no fxhash em que tive a oportunidade de mostrar o que fazer com estes sintetizadores. Graças a um grande amigo, Alexandre Rangel, que me ensinou os primeiros passos para criar sob a linguagem desenvolvida por Olivia Jack em Hydra. Hydra é um sonho, acho que nunca vou conseguir explicar como o Hydra e o VCV Rack conversam, em uma linguagem alien robótica fermentada em um jarro de pickles. Não tem como. É muita doidera. Estudem o Hydra, estudem o VCV Rack, estudem as modulações que o sistema endocanabinoide faz em nosso corpo. Somos o modulador, o próprio corpo é o sistema, vivemos em um biohardware.
A arte generativa é de longe a minha maior paixão atual. Estou apaixonado por esta novidade e seguirei tentando abstrair o sofrimento nestas linhas de código. Esqueci de perguntar: você também sofre com bugs?
Hashs
A criptografia de hashes é uma técnica fundamental na segurança de dados digitais, permitindo que informações sejam convertidas em uma representação única e de tamanho fixo. Um hash é a saída de uma função hash, que transforma uma entrada — seja um texto, arquivo ou qualquer outro conjunto de dados — em uma sequência de caracteres de comprimento fixo. Por exemplo, ao usar a função hash SHA-256 em uma entrada, independentemente do tamanho dessa entrada, a saída será sempre de 256 bits, representada como uma cadeia de números e letras.
As funções hash são projetadas para serem unidirecionais, o que significa que, uma vez que os dados são transformados em um hash, é quase impossível reverter essa operação para descobrir a entrada original. Essa característica é essencial para a segurança, pois protege informações sensíveis de forma eficaz.
Além disso, a natureza determinística dessas funções garante que a mesma entrada sempre produzirá o mesmo hash. Essa propriedade permite verificar a integridade dos dados — por exemplo, ao baixar um arquivo, é possível comparar o hash do arquivo baixado com o hash fornecido pelo site, garantindo que não houve alteração ou corrupção. Um bom algoritmo de hash deve ser resistente a colisões: deve ser extremamente difícil encontrar duas entradas diferentes que gerem o mesmo hash.
No contexto de blockchain e NFTs, os hashes desempenham um papel vital na garantia da integridade das transações e no registro das informações. Cada bloco em uma blockchain contém o hash do bloco anterior, criando uma cadeia segura que torna quase impossível adulterar qualquer parte dela sem modificar todos os blocos subsequentes. Isso fornece uma camada extra de segurança, essencial para sistemas descentralizados.
Criptoarte on-chain
A arte generativa on-chain é um fascinante cruzamento entre criatividade e tecnologia, onde algoritmos e dados se unem para criar obras únicas e dinâmicas que podem ser registradas diretamente na blockchain. Uma das plataformas que mais se destaca nesse cenário é o Tezos, que oferece uma infraestrutura robusta e sustentável para a criação e comércio de arte digital.
Neste contexto, o fxhash emergiu como uma ferramenta inovadora, permitindo que artistas gerem e mintem obras de arte generativa de forma acessível e interativa. No fxhash, cada obra é o resultado de um algoritmo que utiliza dados variáveis, como hashes, para definir suas características visuais. Essa aleatoriedade não só confere singularidade a cada peça, mas também envolve o público, que se torna parte do processo criativo ao adquirir uma obra que é, em essência, uma manifestação única de um código.
A capacidade de modificar a arte através de hashes e variáveis torna a experiência de colecionar arte generativa profundamente envolvente. Os colecionadores não estão apenas adquirindo uma imagem — estão investindo em um conceito que combina autenticidade e interatividade, desafiando as noções tradicionais de autoria e propriedade. Isso abre um espaço para um diálogo contínuo entre artistas e espectadores, refletindo a evolução da arte na era digital.
Como financiar o software livre com cripto
As criptomoedas podem financiar projetos de código aberto de maneira comunitária, facilitando a transparência e o engajamento coletivo. A natureza descentralizada das criptomoedas permite que desenvolvedores e contribuidores sejam recompensados diretamente pela comunidade, sem a necessidade de intermediários. Isso transforma a contribuição financeira em uma questão de apoio direto e, muitas vezes, em um mecanismo de governança, onde a comunidade participa ativamente nas decisões sobre o destino dos fundos e no desenvolvimento das funcionalidades do software.
Com a blockchain, os financiamentos podem ser registrados em um sistema transparente, onde todas as transações são verificáveis, promovendo um ambiente de confiança e segurança. Esse registro permite que quem financia os projetos saiba exatamente como os recursos são usados, fortalecendo a relação entre desenvolvedores e comunidade. Além disso, muitos projetos de criptomoedas incentivam os desenvolvedores através de modelos de bounties ou recompensas específicas por tarefas.
Neste exemplo você pode observar que, no momento que alguém coleta uma variação do meu código Hydra em fxhash, o contrato inteligente direciona a quantidade específica selecionada diretamente para a carteira da fundação Hydra — operação on-chain.
2027
Eu acho que isso foi muito bem organizado para criar uma sombra tão real que ficariamos distraidos com questões cyberneticas, a força bruta esta dentro da caverna, daaa.