Bio · Manifesto

Bio hardware wars with historical software

Texto a moda caralha, vai desculpando a bagunça.

Versão pública, sem dados íntimos.

Quem sou

Sou compositor eletrônico, modularista, desenhista de movimento e som, experimentalista e aventureiro generativo. Resido no Brasil. Trabalho com computadores modulares de código aberto e coleciono arte de artistas de diversas partes do mundo. Comecei cedo no audiovisual, estudando motion design e passando por ambientes corporativos, agências e produtoras independentes. Desde 2021, mergulhei no digital e na criptoarte — um amor à primeira vista. Desde criança, videogames e internet moldaram meu imaginário.

Primeiros contatos

Cresci entre ruas, lanhouses e a cultura de mods. Um jogo customizado da comunidade de Warcraft III me apresentou a animações que me fizeram sonhar com uma profissão que eu nem sabia que existia. Ali entendi, pela primeira vez, o que poderiam ser arte, internet e uma vida feita com computadores.

2021

Em 2021, enquanto trabalhava com design publicitário, encontrei uma live sobre o futuro da arte digital. Foi quando ouvi falar de Bitcoin, Tezos, NFT, Ethereum e de uma plataforma experimental onde artistas estavam vendendo suas obras. Não entendia tudo, mas entendi o essencial: artistas vendendo arte. Pensei: por que não tentar vender minhas músicas?

Entrei em um servidor de comunidade, conversei com outros artistas e recebi meu primeiro Tezos de um artista que ajudou a fundar aquela plataforma. Cunhei músicas que já estavam no meu Bandcamp. Em poucos dias, comecei a vender e a comprar arte de gente do mundo todo. Algumas pessoas finalmente conheceram meu trabalho — e isso mudou minha relação com a arte e com o trabalho. A projeção da criptoarte me abriu portas e me permitiu uma mudança de vida.

HDAO e curadoria descentralizada

Criei com amigos um espaço para compartilhar artes e músicas. Quando surgiu o HDAO, a plataforma hic et nunc devolvia parte do que você havia coletado em objkt nos primeiros meses, com um mecanismo de rankeamento via token. Como eu colecionava de forma intensa, recebi uma quantidade considerável. A ideia de fazer curadoria descentralizada nos entusiasmou. Acompanhávamos liquidez, movimentos de mercado, percentuais.

Em determinado momento, decidi vender minha posição. Pouco depois, boa parte da liquidez do HDAO foi absorvida por outro protocolo, e o token se descontinuou. Foi um movimento que marcou o ecossistema.

Observei que a distribuição descentralizada pode revolucionar, mas também atrai ganância. Um token que deveria servir à comunidade em curadoria acabou concentrado em poucas mãos, criando desequilíbrio. Novas piscinas de liquidez surgiram, e a centralização de votos se mostrou um risco fatal para qualquer DAO. Aprendi que descentralização é o que torna a criptoarte interessante, mas gatekeepers são mais gananciosos do que se imagina. Curadores, muitos também artistas, sem perceber, centralizam a ação mais genuína de um mundo não descentralizado. Descobrir arte sem interferir em seu caminho independente é um problema geográfico e ambiental.

Continuo acreditando que o espírito do hic et nunc ainda voa sobre nossas cabeças — e que o HEN não caiu, mas sofreu um ataque bem orquestrado para parecer motivado por um único indivíduo. Há uma timeline comunitária em gitbook sobre isso.

Bitcoin e criptoeconomia

Primeiro, bitcoin, o ativo, o dinheiro. Segundo, a blockchain, a infraestrutura sobre a qual o primeiro foi construído. Por último, a criptoeconomia — uma estrutura de incentivos para coordenar trabalho distribuído. Isso deu vida a um sistema monetário conduzido pelo povo, para o povo.

Conheci cripto em meados de 2016 e me empolguei com a possibilidade de pagamentos sem fronteiras. O Bitcoin está em seu quarto ciclo enquanto escrevo. Serão muitos ciclos até o fim do projeto. O tempo é uma unidade de medida. As unidades de medida fizeram a humanidade chegar até aqui.

Algumas pessoas veem 2013, 2017 e 2020/21 como bolhas. Não é bem assim: são períodos estruturais que explicam o ganho do mercado cripto em distribuição fractal. No fundo, é tudo energia. Enquanto você lê isto, gasta energia e um relógio conta. Perdoe a viagem semântica.

Comunidade

Pessoas usando computadores. Pessoas urbanas. Pessoas de qualquer lugar. Amo este acidente — o hic et nunc. Não é um círculo de interessados no que tenho, mas uma teia onde valorizamos quem somos. Talvez uma utopia, mas utopias são boas.

Sou grato por tantas mãos construindo um destino comum, um bem comum, um lugar comum, sem as paredes seculares da noção de belo e moral. Agradeço em silêncio a todos os artistas e amantes de arte que cruzaram meu caminho. Essas pessoas usam criptografia diariamente para romper as paredes das galerias tradicionais. São o que me faz acreditar num futuro melhor: uma transição de eras, um renascimento no meio do caos.

E por que não agradecer também às forças do caos — flipers, scammers, copyminters? O equilíbrio está aí. A criptografia foi inventada com um propósito. Nunca ceder à força bruta. É como a lua: está lá, você a vê, acredita, ela hipnotiza.

Arte generativa

No sintetizador modular, comecei de ouvido e por acidente. Fui procurando timbres, experimentando, aprendendo a amar os sintetizadores e quem os faz — humanos que dedicam a vida a construir coisas que ninguém pediu. De repente, descobri que fazia arte generativa, construindo meus próprios sistemas, inspirado em desenhos, maluquices e teimosia de pioneiros. Um bom artista rouba, dizem.

No fxhash, tive a oportunidade de mostrar o que faço com esses sintetizadores. Aprendi os primeiros passos em Hydra, de Olivia Jack. Hydra e VCV Rack conversam numa linguagem alienígena fermentada em um jarro de pickles. Estudem Hydra, VCV Rack, as modulações que o sistema endocanabinoide faz em nosso corpo. Somos o modulador; o corpo é o sistema; vivemos em um biohardware.

A arte generativa é minha maior paixão atual. Seguirei abstraindo o sofrimento nestas linhas de código. Você também sofre com bugs?

Hashes

A criptografia de hashes é uma técnica fundamental na segurança de dados digitais. Um hash é a saída de uma função que transforma qualquer entrada em uma sequência de comprimento fixo. Com SHA-256, por exemplo, a saída terá sempre 256 bits. Funções hash são unidirecionais: é quase impossível reverter o hash para descobrir a entrada original. A mesma entrada produz o mesmo hash, o que permite verificar integridade. Um bom algoritmo deve ser resistente a colisões.

Em blockchain e NFTs, hashes garantem integridade de transações e registros. Cada bloco contém o hash do anterior, criando uma cadeia segura.

Criptoarte on-chain

A arte generativa on-chain cruza criatividade e tecnologia: algoritmos e dados criam obras únicas e dinâmicas registradas diretamente na blockchain. Tezos oferece infraestrutura robusta e sustentável para criar e comercializar arte digital. O fxhash permite gerar e mintar obras generativas de forma acessível e interativa.

Cada obra resulta de um algoritmo que usa dados variáveis, como hashes, para definir características visuais. Essa aleatoriedade confere singularidade e envolve o público, que participa do processo criativo. Modificar a arte através de hashes e variáveis torna colecionar uma experiência profunda. Colecionadores não adquirem só uma imagem: investem em um conceito que combina autenticidade e interatividade, desafiando noções tradicionais de autoria e propriedade. Abre-se um diálogo contínuo entre artistas e espectadores.

Como financiar software livre com cripto

Criptomoedas podem financiar projetos de código aberto de forma comunitária, com transparência e engajamento coletivo. A natureza descentralizada permite recompensar desenvolvedores e contribuidores diretamente, sem intermediários. Isso transforma contribuição financeira em apoio direto e, muitas vezes, em governança.

Com blockchain, financiamentos ficam registrados de forma verificável, promovendo confiança e segurança. Muitos projetos incentivam desenvolvedores com bounties ou recompensas por tarefas. Um contrato inteligente pode, por exemplo, direcionar automaticamente parte de uma coleta para a carteira de uma fundação de software livre.

2027

Talvez tudo isso tenha sido organizado para criar uma sombra tão real que nos distraímos com questões cibernéticas. A força bruta está dentro da caverna.

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